O tratamento da enxaqueca tem duas frentes e é importante não misturá-las. A medicação de crise serve para cortar a dor quando ela já começou. A medicação preventiva serve para diminuir a frequência e a intensidade das crises ao longo do tempo. Usar errado uma pela outra é uma das causas mais comuns de enxaqueca que 'não passa'.
Para a crise
- Antieméticos ajudam mesmo sem vômito, pois atuam na raiz neural da crise
- Triptanos são específicos para enxaqueca e funcionam melhor tomados cedo
- Analgésicos comuns têm papel, mas limitado — e perdem efeito com uso repetido
- Tomar o remédio logo nas primeiras horas da dor dobra a chance de alívio
O perigo dos analgésicos em excesso
Usar analgésicos (simples ou combinados) mais de 2 ou 3 vezes por semana por semanas seguidas gera a chamada cefaleia por uso excessivo de medicação: a dor de cabeça passa a aparecer quase todo dia e piora com o próprio remédio. É uma das causas mais frequentes de enxaqueca crônica e é revertível suspendendo o medicamento em excesso — com orientação médica.
Preventivo: quando e como
O preventivo é indicado quando há 4 ou mais dias de dor por mês, crises muito incapacitantes ou uso frequente de analgésicos. Existem várias famílias (betabloqueadores, antidepressivos, anticonvulsivantes, neuromoduladores) e, mais recentemente, anticorpos monoclonais específicos para enxaqueca. A escolha depende do perfil de cada pessoa — pressão, sono, humor, peso, ciclo hormonal.
O preventivo não é para sempre: usa-se por alguns meses, avalia o ganho e, muitas vezes, reduz ou suspende. Nunca ajuste a dose por conta: o acompanhamento define o ponto certo entre alívio e efeitos colaterais.
