Um dos efeitos mais previsíveis do uso de testosterona em doses suprafisiológicas é a elevação do hematócrito — a proporção de glóbulos vermelhos no sangue. Mais glóbulos significa sangue mais denso, mais viscoso, que flui com mais dificuldade pelos vasos.
Por que isso é perigoso
Sangue grosso flui devagar. Em vasos pequenos, isso favorece a formação de coágulos. Coágulo em arteira cerebral vira AVC; no coração, vira infarto; na perna ou pulmão, vira trombose profunda ou embolia. O risco é real e silencioso: o hematócrito sobe aos poucos, sem sintoma, e a primeira manifestação pode ser um evento grave.
Sinais de alerta
- Rosto constantemente avermelhado, mesmo em repouso
- Dores de cabeça frequentes, especialmente pela manhã
- Tontura e visão turva após esforço
- Fadiga e falta de ar incomuns para o nível de treino
- Sangramento nasal sem causa evidente
Como monitorar
O hemograma com hematócrito é um exame simples e barato, e precisa ser repetido enquanto houver uso. Quando o valor passa de um limite individual (geralmente acima de 52–54%), a conduta inclui ajuste de dose, hidratação generosa e, quando necessário, sangria terapêutica controlada. Nenhuma dessas decisões é caseira.
Reduzir danos aqui é, antes de tudo, não deixar o hematócrito subir sem perceber. Quem usa precisa de exames em intervalos regulares — não apenas quando algo dói.
